Empresas familiares e Goiás, capítulo 1

Empresas familiares e Goiás, capítulo 1

No artigo de hoje, Rondinely dá início a uma série de textos sobre detalhes, desafios e avanços, das empresas familiares goianas! Boa parte das empresas goianas nasceu como familiar, “A realidade de hoje mudou um pouco, mas não muito”. Confira abaixo

Publicado dia 26 de setembro de 2019

Se considerarmos o desenvolvimento da economia brasileira, vamos cravar duas constatações quando observamos Goiás: primeira, que é relativamente jovem seu amadurecimento econômico, assim sendo, também, recente sua “empresarialização”. Nossas empresas, praticamente todas, tem menos de um século. Para ser mais exato, poucas tem mais de 60 anos, ou oito décadas, como nossa capital. Se essa primeira constatação diz muito sobre como somos, a segunda, complementa. Boa parte das empresas é familiar, de primeira a terceira geração, também são de famílias “grandes”, sociedade de irmãos e pais, muitas vezes, com quatro a cinco filhos – comum décadas atrás – e que dividiram a empresa ou empresas do grupos em feudos.

A realidade de hoje mudou um pouco, mas não muito.

Assim, como o tema merece, vou tratar nesta coluna, Canal Executivo, do tema nas próximas cinco colunas, abordando detalhes, desafios e avanços, das empresas familiares goianas. Nesta série, vamos jogar luz sobre o atual momento e pensar o futuro: como as pesadas empresas familiares vão se adaptar a um mercado cada vez mais agressivo (e leve).

Em estudo recente da PwC, mostra que só 12% das empresas familiares chegam à terceira geração. Em Goiás, percebe-se bem esse ponto. De dezenas de milhares de empresas, abertas nos anos 60, poucas sobreviveram ou se mantiveram nas mãos da família fundadora. Quantas que estão jovens agora, vão chegar a 2035 na mesma família?
Por que ocorre essa mortalidade da “terceira geração”? Normalmente, está relacionada a morte ou afastamento do fundador. Ou este centraliza demais o negócio ou é o que melhor o conhece, além do seu reconhecimento pelo mercado e clientes. Os filhos ficam na sombra. O apego do fundador o impede de deixar a empresa deslanchar sem ele, sem suas decisões pelo “feeling”, pelo risco grave de simplesmente desprezar a evolução das ferramentas de gestão e dos executivos.

Talvez isso explique porque somente 1% das empresas, segundo a mesma pesquisa da PwC, chegam a quinta geração.
Na próxima coluna vamos falar sobre conflitos de interesses e mediação externa.

Até a próxima.


Rondinely Leal

Rondinely Leal

Escritor da Coluna: Canal Executivo

Executivo com 20 anos de experiência em gestão, com atuação em grupos nacionais e multinacionais. Contador por formação com especialização em análise e auditoria, MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria. Professor e consultor. Contato: rondinely.leal@potenciamedicoes.com.br