O câmbio do amanhã?

O câmbio do amanhã?

Recentemente, o Facebook revelou que irá lançar sua própria criptomoeda, a Libra, que estará disponível em 2020. Como esse tipo de situação pode interferir no mercado cambial? O especialista em mercado externo Sandro Waldeck analisa o impacto das moedas digitais em mais um artigo exclusivo

Publicado dia 24 de setembro de 2019

O câmbio é um movimento econômico, com efeitos práticos diretos e praticamente imediato, nas demais variáveis da economia. O dólar assumiu este papel balizador há décadas e ostenta como ponto-de-equilíbrio das demais moedas. Está na prateleira do comércio internacional, está em dólar. É um parâmetro.

Ainda não sabe como será o futuro com tamanha evolução da transformação digital e integração das economias pelo mundo, mas já se discute o avanço destes parâmetros mundiais. Estamos falando não apenas da expansão deste mundo econômico como conhecemos, mas também do novo e suas perspectivas.

O padrão cambial com as criptomoedas, por exemplo, vai seguir que padrão?

Não é que a proposta transformadora da moeda digital pode seguir o padrão dólar. Pelo menos a moeda digital do Facebook, rede social americana tão ou mais influente no mundo que muitos governos, terá o dólar como principal moeda na cesta que sustentará sua moeda digital – é o que garante o jornal alemão Der Spiegel na última semana.

Incrível como o novo abraço o antigo. A moeda digital do Facebook, a libra, vai ser lastreada por dólar americano, com peso de 50%, além do dólar de Cingapura (7%), da libra esterlina (11%), do euro (18%) e do iene (14%). O iuan chinês ficou de fora, assim como o combalido real, claro. O papel chinês ficou de fora claro pela opção da empresa americana de não entrar no tenso debate mundial China x EUA, criando um moeda de reserva com o iuan, que já começa a gradativamente ganhar este status.

Essa popularização de uma moeda (uma criptomoeda) em uma rede social é uma aposta de mundialização e disseminação da moeda digital. Essa “libra” do Facebook é o que chamam de “stablecoins”, que são moedas digitais apoiadas por ativos como depósitos tradicionais de dinheiro, ouro ou títulos de governo de curto prazo. São potencialmente menos voláteis e mais bem difundidas que as “tradicionais” moedas digitais.

As autoridades e especialistas monetários, bancos centrais e agentes econômicos só observam este movimento – com muita cautela, repetindo o discurso (real) de desestabilização do sistema financeiro global. Veremos como serão estes passos nos próximos cinco anos.


Sandro Waldeck

Sandro Waldeck

Escritor da Coluna: Mercado Externo

Advogado empresarial, especializado na área internacionalista, da Waldeck Associados