Leitura Estratégica

Indústria goiana fecha mais plantas, mas retoma contratações entre 2016 e 2017

Ainda como reflexo da crise, a indústria goiana, considerando aquelas com cinco ou mais empregados, encerrou as atividades de mais 252 plantas ao longo de 2017


O processo de ajuste da indústria goiana à recessão de 2015/16 ainda não havia se encerrado totalmente em 2017, embora o emprego tenha retomado o crescimento, com avanços ainda para o total das receitas líquidas e para os salários e demais rendimentos pagos pelo setor (o que inclui retiradas de sócios e outras formas de remuneração desembolsadas pelas indústrias). O aumento nas contratações e a estagnação no valor da transformação industrial, que engloba tudo o que foi incorporado ao bem final durante o processo de produção (desde o trabalho realizado pelos empregados até os insumos e a energia consumida), tiveram como resultado uma queda relativa na produtividade, acompanhada de redução na agregação de valores ao longo do processo produtivo.

Ainda como reflexo da crise, a indústria goiana, considerando aquelas com cinco ou mais empregados, encerrou as atividades de mais 252 plantas ao longo de 2017, o que reduziu o total de empresas no setor de 6.766 em 2016 para 6.514 no ano seguinte, em queda de 3,7%. Os segmentos de artigos do vestuário e acessórios de moda e manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos concentraram quase 88% das plantas fechadas naquele período. No primeiro setor, o total de indústrias caiu de 1.606 para 1.517 (5,5% a menos), saindo de 353 para 220 no segundo, num tombo de 37,7%.

Nas séries estatísticas da Pesquisa Industrial Anual (PIA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 630 indústrias foram fechadas entre 2014 e 2017, numa redução de 8,8% no período. Seis setores de atividade responderam pelo encerramento de 465 delas (73,8% do total fechado naqueles quatro anos) – fabricação de móveis (90 fábricas a menos), indústria de couros e calçados (88 plantas fechadas), fabricação de produtos de fumo (85 a menos), setor têxtil (77 plantas desativadas), gráficas (60 a menos) e fabricação de produtos não metálicos (também contabilizando 60 plantas fechadas). Este último setor parece refletir a crise continuada no setor de construção civil, que resultou ainda no encerramento de 16 empresas de extração de areia, calcário, brita e outros minerais não metálicos.

Paradoxos

Num aspecto mais positivo, a indústria ampliou o total de empregados em 2,5%, saindo de 224,656 mil empregados para 230,243 mil (5,587 mil a mais). Quase 57% das contratações foram para o setor de fabricação de produtos alimentícios, que elevou o total de trabalhadores em suas linhas de 80,501 mil para 83,682 mil, em alta de 3,95%. A participação do setor de alimentos no emprego industrial avançou de 35,83% para 36,35%. Num paradoxo, ao menos aparentemente, o valor da transformação industrial (VTI) no setor recuou 0,51% na passagem de 2016 para 2017, baixando de quase R$ 13,850 bilhões para R$ 13,779 bilhões, o que reduziu sua participação no valor total da transformação de 44,31% para 44,07%. Em 2013, o setor de alimentos havia respondido por 47,32% do valor agregado por toda a indústria.

Balanço

· No total, a indústria goiana gerou um VTI de R$ 31,266 bilhões em 2017, muito próximo dos R$ 31,258 bilhões registrados no ano imediatamente anterior. Como o valor da transformação cresceu 7,8% em todo o País, a participação goiana no bolo nacional recuou de 2,86% para 2,65%.

· Na indústria de transformação, que chegou a alcançar uma fatia de 3,11% no total brasileiro, o VTI caiu 1,59% entre aqueles mesmos anos, encolhendo de R$ 30,147 bilhões para R$ 29,669 bilhões, o que assegurou uma participação de 2,91% no total do setor no País.

· O resultado negativo foi influenciado pelas perdas registradas pelas indústrias de biocombustíveis (-7,5%), produtos químicos (-4,2%), veículos (-22,64%), couros e acessórios (-3,9%) e minerais não metálicos (-19,2%).

· Depois de receber incentivos vultuosos, a indústria de veículos tem perdido espaço continuamente, saindo de uma participação de 6,86% no VTI em 2008 para apenas 2,09% em 2017, quando respondeu ainda por menos de 2% do total de pessoas empregadas em todo o setor industrial.

· O emprego nas montadoras goianas desabou de 6.198 para 4.570 entre 2014 e 2017, com corte de 1.628 vagas e redução de 26,3% no período.

· O percentual de insumos e matérias-primas processados pela indústria e agregados aos bens finais recuou de 35,4% para 34,3% na indústria em geral e de 34,9% para 33,5% no setor de transformação, sugerindo índices mais baixos de agregação de valor.

A produtividade por empregado (resultado da divisão do VTI pelo total de empregados) caiu 2,4% em 2017, de R$ 139,14 mil para R$ 135,79 mil. Na indústria brasileira, o indicador subiu 8,5%.

As informações são do Jornal O Hoje

Indústria goiana fecha mais plantas, mas retoma contratações entre 2016 e 2017

Ainda como reflexo da crise, a indústria goiana, considerando aquelas com cinco ou mais empregados, encerrou as atividades de mais 252 plantas ao longo de 2017


O processo de ajuste da indústria goiana à recessão de 2015/16 ainda não havia se encerrado totalmente em 2017, embora o emprego tenha retomado o crescimento, com avanços ainda para o total das receitas líquidas e para os salários e demais rendimentos pagos pelo setor (o que inclui retiradas de sócios e outras formas de remuneração desembolsadas pelas indústrias). O aumento nas contratações e a estagnação no valor da transformação industrial, que engloba tudo o que foi incorporado ao bem final durante o processo de produção (desde o trabalho realizado pelos empregados até os insumos e a energia consumida), tiveram como resultado uma queda relativa na produtividade, acompanhada de redução na agregação de valores ao longo do processo produtivo.

Ainda como reflexo da crise, a indústria goiana, considerando aquelas com cinco ou mais empregados, encerrou as atividades de mais 252 plantas ao longo de 2017, o que reduziu o total de empresas no setor de 6.766 em 2016 para 6.514 no ano seguinte, em queda de 3,7%. Os segmentos de artigos do vestuário e acessórios de moda e manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos concentraram quase 88% das plantas fechadas naquele período. No primeiro setor, o total de indústrias caiu de 1.606 para 1.517 (5,5% a menos), saindo de 353 para 220 no segundo, num tombo de 37,7%.

Nas séries estatísticas da Pesquisa Industrial Anual (PIA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 630 indústrias foram fechadas entre 2014 e 2017, numa redução de 8,8% no período. Seis setores de atividade responderam pelo encerramento de 465 delas (73,8% do total fechado naqueles quatro anos) – fabricação de móveis (90 fábricas a menos), indústria de couros e calçados (88 plantas fechadas), fabricação de produtos de fumo (85 a menos), setor têxtil (77 plantas desativadas), gráficas (60 a menos) e fabricação de produtos não metálicos (também contabilizando 60 plantas fechadas). Este último setor parece refletir a crise continuada no setor de construção civil, que resultou ainda no encerramento de 16 empresas de extração de areia, calcário, brita e outros minerais não metálicos.

Paradoxos

Num aspecto mais positivo, a indústria ampliou o total de empregados em 2,5%, saindo de 224,656 mil empregados para 230,243 mil (5,587 mil a mais). Quase 57% das contratações foram para o setor de fabricação de produtos alimentícios, que elevou o total de trabalhadores em suas linhas de 80,501 mil para 83,682 mil, em alta de 3,95%. A participação do setor de alimentos no emprego industrial avançou de 35,83% para 36,35%. Num paradoxo, ao menos aparentemente, o valor da transformação industrial (VTI) no setor recuou 0,51% na passagem de 2016 para 2017, baixando de quase R$ 13,850 bilhões para R$ 13,779 bilhões, o que reduziu sua participação no valor total da transformação de 44,31% para 44,07%. Em 2013, o setor de alimentos havia respondido por 47,32% do valor agregado por toda a indústria.

Balanço

· No total, a indústria goiana gerou um VTI de R$ 31,266 bilhões em 2017, muito próximo dos R$ 31,258 bilhões registrados no ano imediatamente anterior. Como o valor da transformação cresceu 7,8% em todo o País, a participação goiana no bolo nacional recuou de 2,86% para 2,65%.

· Na indústria de transformação, que chegou a alcançar uma fatia de 3,11% no total brasileiro, o VTI caiu 1,59% entre aqueles mesmos anos, encolhendo de R$ 30,147 bilhões para R$ 29,669 bilhões, o que assegurou uma participação de 2,91% no total do setor no País.

· O resultado negativo foi influenciado pelas perdas registradas pelas indústrias de biocombustíveis (-7,5%), produtos químicos (-4,2%), veículos (-22,64%), couros e acessórios (-3,9%) e minerais não metálicos (-19,2%).

· Depois de receber incentivos vultuosos, a indústria de veículos tem perdido espaço continuamente, saindo de uma participação de 6,86% no VTI em 2008 para apenas 2,09% em 2017, quando respondeu ainda por menos de 2% do total de pessoas empregadas em todo o setor industrial.

· O emprego nas montadoras goianas desabou de 6.198 para 4.570 entre 2014 e 2017, com corte de 1.628 vagas e redução de 26,3% no período.

· O percentual de insumos e matérias-primas processados pela indústria e agregados aos bens finais recuou de 35,4% para 34,3% na indústria em geral e de 34,9% para 33,5% no setor de transformação, sugerindo índices mais baixos de agregação de valor.

A produtividade por empregado (resultado da divisão do VTI pelo total de empregados) caiu 2,4% em 2017, de R$ 139,14 mil para R$ 135,79 mil. Na indústria brasileira, o indicador subiu 8,5%.

As informações são do Jornal O Hoje